E há coisas gozadas, certas experiências... Será que o sangue reconhece o sangue? Seria o nosso cérebro capaz de reconhecer ínfimos sinais, traços invisíveis a olho nu, capazes de denunciar num outro vivente o nosso parentesco, o fato de, um dia, termos vivido virtualmente sob o mesmo teto?
Certa vez, eram já umas nove horas da noite, eu estava sozinho, atrás do balcão da Livraria Diadorim, a primeira que, com sócios, mantive, e que ficava no quarteirão do Colégio Arnaldo, na esquina de Timbiras com Ceará, quando entrou pela loja uma moça de grande beleza, bem acima das pobres possibilidades do meu bico. E ela se pôs a conversar comigo, com abertura total, como se uma empatia integral se tivesse estabelecido entre nós à primeira vista. Não, não era em termos de amor. Era só fraternidade. Mas completa, inteira, de tal forma que ela toda se expôs para mim, contando os seus desastres amorosos, razão da solitude em que se encontrava. E saindo juntos, fechada a livraria, fomos para um bar da Savassi, onde ficamos até às tantas. No conversa vai, conversa vem, fiquei sabendo: ela era uma Ribeiro de Oliveira, com raízes fincadas lá na cidade de Nossa Senhora das Brotas, a bucólica Brumado do Campo, numa certa época João Ribeiro, nosso primo, e agora Entre Rios de Minas.
Ou, então, o caso de outra - minha prima em quinto grau, sem que soubéssemos disto - que se ferveu de amor logo aos primeiros encontros de conhecimento e com quem, avalio bem seguro, teria me casado, fossem outras as circunstâncias.
Bem, no final das contas, da leitura do livro de Arthur Campos, os "Traços Genealógicos", resulta a seguinte ascendência de minha mãe, pelo seu nome de solteira Joana Rodrigues:
1. filha de João Rodrigues Rosa Júnior e MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA PENA;
2. Maria José era filha de HERMELINDA DE OLIVEIRA PENA, batizada a 7 de agosto de 1847, casada com LUZITANO JOSÉ COELHO;
3. Hermelinda era filha de MARIA CAROLINA DE OLIVEIRA PENA, casada a 27 de novembro de 1833 com o capitão JOSÉ BERNARDES DE MOURA;
4. Maria Carolina era a sétima filha do capitão FRANCISCO FERNANDES PENA, casado com JOANA CÂNDIDA DE JESUS;
5. O capitão Francisco Fernandes Pena era o sexto filho de CAETANO FERNANDES PENNA, casado com ANA MARIA DE JESUS (cf. livro de registro de testamentos da matriz de Entre Rios, fls. 68v., testamento de D. Ana Felizarda de Oliveira, sua terceira filha, casada com João Ribeiro da Silva). Caetano residia na Fazenda da Mata do Arruda, onde nasceram todos os seus filhos.
6. Joana Cândida de Jesus, mulher de Francisco Fernandes Penna, o casal de que nasceu Maria Carolina, minha trisavó, era a nona filha do capitão JOÃO RIBEIRO, que residiu muitos anos em Congonhas do Campo e faleceu em 1818 na sua fazenda de Santa Cruz, casado com MARIA DA CONCEIÇÃO DE JESUS, natural de Vila Rica, onde faleceu depois de viúva, deixando testamento. O capitão era filho de FRANCISCO ALVES PORTELA, de São Miguel de Vilalinho, bispado do Porto, e de MARIA VIEIRA, de São Paio de Moreira dos Cônegos, termo de Guimarães, arcebispado de Braga. Um seu irmão, Jerônimo Alves Portela, residia
7. Maria da Conceição de Jesus era filha de ANA MARIA DA CONCEIÇÃO, casada com MANUEL MACHADO, natural da vila de Lixa, arcebispado de Braga, Portugal. Ana Maria, em 1782, era viúva e ora estava em Sant'Ana do Sobreiro, ora em Congonhas, ora
8. Ana Maria da Conceição era filha de MANUEL RIBEIRO FILGUEIRA E ANA MARIA DE CAMPOS.
Taí, se fiz um bom resumo do Arthur Campos, se não cometi nenhum erro, chego aos meus oitavos avós, na Vila Rica dos tempos de Tiradentes. Os meus netos, duas gerações à frente, chegam aos décimos avós e são a 12ª geração de Manuel Ribeiro Filgueira e dona Ana Maria de Campos. O "pedigree" está levantado, só falta a grana para consagrar a "nobreza"...
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