DOLOR COMÚN
Cállate, corazón, son tus pesares
de los que no deben decirse, deja
se pudran en tu seno; si te aqueja
un dolor de ti solo no acibares
a los demás la paz de sus hogares
con importuno grito. Esa tu queja,
siendo egoísta como es, refleja
tu vanidad no más. Nunca separes
tu dolor del común dolor humano,
busca el íntimo, aquel em que radica
la hermandad que te liga com tu hermano,
el que agranda la mente y no la achica;
solitario y carnal es siempre vano;
sólo el dolor común nos santifica.
Don Miguel de Unamuno
ISRAEL SANT'ANA
MESTRE DE MANUTENÇÃO ELÉTRICA —
MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA E
COMÉRCIO - MIC
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 06-10-1964, p. 9029.
ITAIR SÁ DA SILVA
Sanção: Suspensão de direitos políticos e
cassação de mandato.
D.O.: 10-11-1966, p. 12991.
ÍTALO DE SOUZA ROCHA
3º SARGENTO — MINISTÉRIO DO
EXÉRCITO
Sanção: Demissão.
D.O.: 14-09-1964, p. 8147.
ÍTALO GASPAROTTI
AGENTE FISCAL DO IMPOSTO DE
RENDA
Sanção: Demissão.
D.O.: 01-10-1964, p. 8838.
ÍTALO GIORDANO
JUIZ DE DIREITO - MT
Sanção: Suspensão de direitos políticos e
demissão.
D.O.: 13-03-1967, p. 3013.
ITAMAR CORREA VIANA
ALMOXARIFE — MINISTÉRIO DA
EDUCAÇÃO E CULTURA - MEC
Sanção: Demissão.
D.O.: 08-10-1964, p. 9140.
ITAMAR MAXIMIANO GOMES
SUBTENENTE — MINISTÉRIO DO
EXÉRCITO
Sanção: Demissão.
D.O.: 16-09-1964, p. 8264.
ITAN DE AZEVEDO PEREIRA
POSTALISTA — MINISTÉRIO DA VIAÇÃO
E OBRAS PÚBLICAS - MVOP
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 09-10-1964, p. 9211.
IVAN ALVES CORREA
AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL
Sanção: Demissão.
D.O.: 02-08-1973, p. 7582.
IVAN CAVALCANTI PROENÇA
CAPITÃO — MINISTÉRIO DO EXÉRCITO
Sanção: Reforma.
D.O.: 09-10-1964, p. 9202.
IVAN CHAGAS
3º SARGENTO — MINISTÉRIO DO
EXÉRCITO
Sanção: Demissão.
D.O.: 31-07-1964, p. 6819.
IVAN CORREIA TOLEDO
PREFEITO - INDAIATUBA/SP
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 13-06-1964, p. 5049.
IVAN DE LUCENA ÂNGULO
2º TENENTE MÉDICO RNR —
MINISTÉRIO DA MARINHA
Sanção: Demissão.
D.O.: 16-06-1970, p. 4486.
IVAN DE OTERO RIBEIRO
TÉCNICO ESTAGIÁRIO — CENTRAIS
ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A. -
ELETROBRÁS
Sanção: Dispensa de função.
D.O.: 09-10-1964, p. 9225.
IVAN GONÇALVES
2º SARGENTO
Sanção: Reforma.
D.O.: 08-07-1969, p. 5764.
IVAN GONÇALVES CIDREIRA
MINISTÉRIO DA VIAÇÃO E OBRAS
PÚBLICAS - MVOP
Sanção: Demissão.
D.O.: 09-10-1964, p. 9217.
Obs.: Ratificação.
Até 1930, o Estado brasileiro foi liderado por uma oligarquia agro-comercial, na qual predominavam as elites rurais do Nordeste, os plantadores de café de São Paulo e os interesses comerciais exportadores.
Essa oligarquia formou um bloco de poder de interesses agrários, agro-exportadores e interesses comerciais importadores dentro de um contexto neo-colonial, bloco este que foi marcado pelas deformidades de uma classe que era ao mesmo tempo “cliente-dominante”. Foi sob a tutela política e ideológica desse bloco de poder oligárquico e também sob a influência da supremacia comercial britânica nos últimos vinte e cinco anos do século XIX que se formou a burguesia industrial.
Durante a década de vinte, novos centros econômicos regionais foram consolidados sob novas bases econômicas como, por exemplo, um Rio Grande do Sul agrário e um Rio de Janeiro e São Paulo industriais. O sistema bancário, que havia em grande parte se desenvolvido a partir de interesses agrários, concentrou-se principalmente
Essas mudanças abriram caminho para o surgimento de figuras políticas como as de Getúlio Vargas, João Daudt d’Oliveira, Oswaldo Aranha (Rio Grande do Sul), Vicente Galliez, Valentim Bouças, Ary Frederico Torres (Rio de Janeiro) Roberto Simonsen, Teodoro Quartim Barbosa (São Paulo) e Euvaldo Lódi (Minas Gerais), empresários e políticos que marcaram uma era.
A urbanização e o desenvolvimento industrial exerceram efeitos desorganizadores sobre a frágil estrutura do estado oligárquico. No final da década de vinte, através de um delicado acordo entre os governos estaduais de São Paulo e Minas Gerais (acordo este conhecido como “política do café com leite”, uma modalidade de “Bonapartismo civil” que deu nome ao período), o bloco de poder oligárquico tentou opor-se ao desafio da burguesia e vencer a crise da oligarquia e dos setores cafeeiros
A burguesia emergente, porém, não destruiu, nem política nem economicamente, as antigas classes agrárias dominantes para impor sua presença no Estado; pelo contrário, aceitou em grande parte os valores tradicionais da elite rural. É irrelevante para efeitos da presente análise saber se isso aconteceu por não ter a burguesia força política ou econômica suficiente para destruir os baluartes políticos e a estrutura sócio-econômica da oligarquia, ou se foi por não querer ou não precisar fazê-lo. O importante é que a burguesia industrial conseguiu identidade política face ao bloco oligárquico e, ao mesmo tempo, estabeleceu um novo “compromisso de classe” no poder com os interesses agrários, particularmente com os setores agro-exportadores. É precisamente através dessa dupla ação que o aparecimento e consolidação da burguesia devem ser entendidos, pois sua ligação umbilical com a oligarquia teria importantes conseqüências históricas, originando o chamado “estado de compromisso” institucionalizado pela constituição de 1934. O governo de Getúlio Vargas teve então de se movimentar dentro de uma complicada trama de conciliações efêmeras entre interesses conflitantes. Nenhum dos grupos participantes dos mecanismos de poder — as classes médias, os setores agro-exportadores, a indústria e os interesses bancários — foi capaz de estabelecer sua hegemonia política e de representar seus interesses particulares como sendo os interesses gerais da nação. O equilíbrio instável entre os grupos dominantes e, mais ainda, a incapacidade de qualquer desses grupos de assumir o controle do Estado em benefício próprio e, ao mesmo tempo, representar o conjunto dos interesses econômicos privados, constituíram elementos típicos da política da década, expressando precisamente a crise da hegemonia política oligárquica, a qual foi marcada pela revolução de 1930.
Apesar de a indústria e de os interesses agro-exportadores haverem estabelecido um “estado de compromisso”, eles tiveram uma coexistência difícil e o período foi marcado por crises contínuas a partir de 1932, o que levou ao estabelecimento do Estado Novo em 1937. Para a burguesia industrial, que estava então afirmando o seu poderio econômico, eram inaceitáveis as dissidências das classes dominantes articuladas politicamente no seu interior, tais como se manifestaram na revolução de 1932 ou no movimento fascista (integralismo) da metade da década de trinta e que impregnou a ideologia nacionalista daquele período. Além disso, reações organizadas por parte das classes subordinadas como, por exemplo, o levante comunista de 1935, a formação de uma Frente Nacionalista Negra em meados da década de trinta, ou a criação da Aliança Nacional Libertadora tinham de ser reprimidas. Os industriais perceberam que precisavam de uma liderança forte para conseguir disciplinar o esforço nacional e para impor e administrar sacrifícios regionais e de classe apropriados para a consolidação da sociedade industrial.
O “estado de compromisso”, forjado no processo sócio-político do início da década de trinta, foi então remodelado a partir das experiências de um novo Estado traduzido pelas formas corporativistas de associação e apoiado por formas autoritárias de domínio. O Estado Novo surgiu porque a burguesia industrial se mostrou incapaz de liderar os componentes oligárquicos do “estado de compromisso” ou para impor-se à nação através de meios consensuais, de maneira a criar uma infra-estrutura sócio-econômica para o desenvolvimento industrial. O Estado Novo garantiu a supremacia econômica da burguesia industrial e moldou as bases de um bloco histórico burguês, concentrando as energias nacionais e mobilizando recursos legitimados por noções militares de ordem nacional e de progresso cujos interesses pela industrialização mutuamente reforçavam os interesses dos industriais. Sob a égide do Estado Novo, industriais e proprietários de terra tornaram-se aliados. Contudo, a convergência de interesses não se dissolveu em identidade de interesses. Conflitos e tensões marcaram o seu relacionamento, e foi esse elemento de competição mútua que tornou possível, e até mesmo necessário, que o aparelho burocrático-militar do Estado Novo tivesse um papel de intermediário, o que favoreceu uma interferência contínua das Forças Armadas na vida política da nação. A intervenção do aparelho burocrático-militar na vida política assegurava a coesão do sistema, ao mesmo tempo em que se tornava um fator de perturbação nas tentativas de uma institucionalização política a longo prazo.
René Armand Dreifuss
em 1964: A Conquista do Estado
ação política, poder e golpe de classe
Vozes. Petrópolis. 1981.
LEMBRANÇAS DA FAZENDA
Na fazenda havia muitos patos. As patas sumiam, iam fazer seus ninhos numa ilha lá
As primas da roça passavam no meio da boiada sem medo nenhum, mas os meninos da cidade ficavam olhando a cara dos bois e achavam que os bois estavam olhando para eles com más intenções. A linguagem crua das moças da roça sobre a reprodução dos animais os assustava.
Na outra fazenda havia um córrego perdido entre margens fofas de capim crescido. O menino foi tomar banho, voltou com cinco sanguessugas pegadas no corpo. Havia um carpinteiro chamado “seu” Roque e uma grande mó de pedra no moinho de fubá onde a água passava chorando. Quando pararam o moinho, veio um silêncio pesado e grosso dos morros em volta e caiu sobre todas as coisas.
Rubem Braga
em Ai de Ti, Copacabana
Sabiá. Rio de Janeiro.
5ª edição. 1969.
Voltamos para casa. Drummond, com aquela famosa cabeça baixa, como se estivesse pisando em chão de ferro, ferro de Itabira. Reparei que ele estava contraído, o maxilar inferior tenso, fazendo estremecer a carne de seu rosto magro. Não sei em que estaria pensando. Ou melhor: sabia.
Continuamos em silêncio, nada havia a comentar. Ele me deixou em casa, elogiei-lhe o imenso guarda-chuva. Convidei-o a subir para tomar um café, ele agradeceu e recusou.
Na minha ausência de casa, haviam telefonado do jornal perguntando se eu mandaria alguma crônica para o dia seguinte. Eu estava de recesso, desde o dia 13 não escrevia nada. O Aloísio Gentil Branco, secretário da redação, sugeria que eu escrevesse alguma coisa.
Sentei-me no escritório, abri a Remington semiportátil que estivera desativada durante quase três semanas e escrevi:
DA SALVAÇÃO DA PÁTRIA
Posto em sossego por uma cirurgia e suas complicações, eis que o sossego subitamente se transforma em desassossego: minha filha surge esbaforida dizendo que há revolução na rua.
Apesar da ordem médica, decido interromper o sossego e assuntar: ali no Posto Seis, segundo me afirmam, há briga e morte. Confiando estupidamente no patriotismo e nos sadios princípios que norteiam as nossas gloriosas Forças Armadas, lá vou eu, trôpego e atordoado, ver o povo e a história que ali, em minhas barbas, está sendo feita. Vejo um heróico general à paisana, comandar alguns rapazes naquilo que mais tarde o repórter da TV Rio chamou de “gloriosa barricada”. Os rapazes arrancam bancos e árvores. Impedem o cruzamento da Avenida Atlântica com a Rua Joaquim Nabuco. Mas o general destina-se a missão mais importante e gloriosa: apanha dois paralelepípedos e concentra-se na brava façanha de colocar um em cima do outro.
Estou impossibilitado de ajudar os gloriosos herdeiros de Caxias, mas vendo o general em tarefa aparentemente tão insignificante, chego-me a ele e, antes de oferecer meus préstimos patrióticos, pergunto para que servem aqueles paralelepípedos tão sabiamente colocados um sobre o outro.
— General, para que é isto?
O intrépido soldado não se dignou a olhar-me. Rosna, modestamente:
— Isto é para impedir os tanques do Primeiro Exército!
Apesar de oficial da reserva — ou talvez por isso mesmo —, sempre nutri profunda e inarredável ignorância em assuntos militares. Acreditava, até então, que dificilmente se deteria todo um exército com dois paralelepípedos ali na esquina da rua onde moro. Não digo nem pergunto mais nada. Retiro-me à minha estúpida ignorância.
Qual não é meu pasmo quando, dali a pouco, em companhia do bardo Carlos Drummond de Andrade, que descera à rua para saber o que se passava, ouço pelo rádio que os dois paralelepípedos do general foram eficazes: o Primeiro Exército, em sabendo que havia tão sólida resistência, desistiu do vexame: aderiu aos que se chamavam de rebeldes.
Nessa altura, há confusão na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, pois ninguém sabe ao certo o que significa “aderir aos rebeldes”. A confusão é rápida. Não há rebeldes e todos, rebeldes ou não, aderem, que a natural tendência da humana espécie é aderir.
Os rapazes de Copacabana, belos espécimes de nossa sadia juventude, bem nutridos, bem fumados, bem motorizados, erguem o general
Olho o chão. Por acaso ou não, os dois paralelepípedos lá estão, intactos, invencidos, um em cima do outro. Vou lá perto, com a ponta do sapato tento derrubá-los. É coisa relativamente fácil.
Das janelas, cai papel picado. Senhoras pias exibem seus pios e alvacentos lençóis, em sinal de vitória. Um Cadillac conversível pára perto do “Six” e surge uma bandeira nacional. Cantam o Hino Nacional e declaram todos que a Pátria está salva.
Minha filha, ao meu lado, exige uma explicação para aquilo tudo.
— É Carnaval, papai?
— Não.
— É campeonato do mundo?
— Também não.
Ela fica sem saber o que é. E eu também fico. Recolho-me ao sossego e sinto na boca um gosto azedo de covardia.
Carlos Heitor Cony
A Revolução dos Caranguejos
vozes do golpe
Companhia das Letras. São Paulo.
2004.
Pela manhã, bem antes do alvorecer, eles vêm, dançam e cantam em redor do tacape com que querem o executar, até que o dia rompa. Tiram então o prisioneiro da pequena choça e derrubam-na, fazendo um espaço limpo. Em seguida desatam-lhe a muçurana do pescoço, passam-lha em volta do corpo retesando-a de ambos os lados. Fica ela então no meio, bem amarrado. Muita gente segura a corda nas duas extremidades. Assim o deixam ficar algum tempo e põem-lhe perto pequenas pedras para que possa lançá-las nas mulheres, que lhe correm em redor, mostrando-lhe com ameaças como o pretendem comer. As mulheres estão pintadas e têm o encargo, quando for ele cortado, de correr em volta das cabanas com os primeiros quatro pedaços. Nisso encontram prazer os demais.
Fazem então uma fogueira, a dois passos mais ou menos do escravo, de sorte que esse necessariamente a vê, e uma mulher se aproxima correndo com a maça, o ibirapema, ergue ao alto as borlas de pena, dá gritos de alegria e passa correndo em frente do prisioneiro a fim de que ele o veja. Depois um homem toma o tacape, coloca-se com ele em frente do prisioneiro, empunhando-o, para que o aviste. Entrementes, afasta-se aquele que o vai matar, com outros treze ou quatorze, e pintam os corpos de cor plúmbea, com cinza.
Quando ele retorna com os seus companheiros para o pátio, aquele que traz o prisioneiro lhe entrega o tacape, em frente ao dito cujo. Vem então o principal da cabana, toma a arma e mete-lha entre as pernas. Consideram isto uma honra. A seguir retoma o tacape aquele que vai matar o prisioneiro e diz: “Sim, aqui estou eu, quero matar-te, pois tua gente também matou e comeu muitos dos meus amigos”. Responde-lhe o prisioneiro: “Quando estiver morto, terei ainda muitos amigos que saberão vingar-me”. Depois golpeia o prisioneiro na cabeça, de modo que lhe saltam os miolos. Imediatamente as mulheres levam o morto, arrastam-no para o fogo, raspam-lhe toda a pele, fazendo-o inteiramente branco e tapando-lhe o ânus com um pau, a fim de que nada dele se escape.
Depois de esfolado, toma-o um homem e corta-lhe as pernas acima dos joelhos, e os braços junto ao corpo. Vêm então as quatro mulheres, apanham os quatro pedaços, correm com eles em torno das cabanas, fazendo grande alarido, em sinal de alegria. Em seguida separam as costas, com as nádegas, da parte dianteira. Repartem isto entre si. As vísceras são dadas às mulheres, Fervem-nas e com o caldo fazem uma papa rala, que se chama mingau, que elas e as crianças sorvem. Comem essas vísceras, assim como a carne da cabeça. O miolo do crânio, a língua e tudo o que podem aproveitar comem as crianças. Quando todo foi partilhado, voltam para casa, levando cada um o seu quinhão.
Quem matou o prisioneiro recebe ainda uma alcunha, e o principal da choça arranha-lhe os braços, em cima, com o dente de um animal selvagem. Quando essa arranhadura sara, vêm as cicatrizes, que valem por ornato honroso. Durante esse dia, deve o carrasco permanecer numa rede,
Tudo isso vi e assisti.
Hans Staden
em Brasil
A História Contada por quem Viu
Jorge Caldeira (org.)
Mameluco. São Paulo.
2008.
IRIS RESENDE MACHADO
PREFEITO - GOIÂNIA/GO
Sanção: Suspensão de direitos políticos e
cassação de mandato.
D.O.: 20-10-1969, p. 8912.
IRMO MARQUES
ARTÍFICE — MINISTÉRIO DA VIAÇÃO E
OBRAS PÚBLICAS - MVOP
Sanção: Demissão.
D.O.: 09-10-1964, p. 9215.
ISAAC SCHEINVERT
ENGENHEIRO
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 23-05-1966, p. 5447.
ISAAC SOARES
ADVOGADO
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 09-06-1964, p. 4881.
ISAIAS RAW
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 30-04-1969, p. 3669.
Obs.: Republicação D.O.: 20-05-1969.
ISMAEL ANTONIO DE SOUSA
Sanção: Banimento.
D.O.: 13-01-1971, p. 257.
ISMAEL BENIGNO
DEPUTADO ESTADUAL - AM
Sanção: Suspensão de direitos políticos e
cassação de mandato.
D.O.: 14-03-1969, p. 2212.
ISMAEL KOTLER
AGENTE FISCAL DO IMPOSTO DE
RENDA
Sanção: Demissão.
D.O.: 01-10-1964, p. 8838.
ISMAEL LUIZ DO NASCIMENTO
MAQUINISTA — MINISTÉRIO DA VIAÇÃO
E OBRAS PÚBLICAS - MVOP
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 09-10-1964, p. 9211.
ISMAIL FERNANDES
TELEGRAFISTA — MINISTÉRIO DA
VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS - MVOP
Sanção: Demissão.
D.O.: 08-10-1964, p. 9138.
ISMAR DO NASCIMENTO AMORIM
ENFERMEIRO — COMPANHIA
HIDRELÉTRICA DO VALE DO
PARAÍBA - CHEVAP
Sanção: Dispensa de função.
D.O.: 09-10-1964, p. 9225.
ISNALDO MARTINS DE LYRA
OFICIAL DE ADMINISTRAÇÃO —
MINISTÉRIO DA MARINHA
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 08-10-1964, p. 9135.
ISRAEL BELLOTI DOS SANTOS
2º SARGENTO — MINISTÉRIO DO
EXÉRCITO
Sanção: Reforma.
D.O.: 07-10-1964, p. 9080.
ISRAEL BELOCH
2º TENENTE
Sanção: Demissão.
D.O.: 26-08-1969, p. 7242.
ISRAEL DIAS NOVAES
DEPUTADO FEDERAL - SP
Sanção: Cassação de mandato.
D.O.: 17-01-1969, p. 554.
REDATOR - SP
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 21-07-1970, p. 5403.
ISRAEL GOMES CALDEIRA
TELEGRAFISTA — MINISTÉRIO DA
VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS - MVOP
Sanção: Demissão.
D.O.: 09-10-1964, p. 9214.
ÁRIA PARA ASSOVIO
Inelutavelmente tu
Rosa sobre o passeio
Branca! e a melancolia
Na tarde do seio.
As cássias escorrem
Seu ouro a teus pés
Conheço o soneto
Porém tu quem és?
O madrigal se escreve:
Se é do teu costume
Deixa que eu te leve.
(Sê... mínima e breve
A música do perfume
Não guarda ciúme.)
Rio, 1936
Vinicius de Moraes
Livro de Sonetos
Companhia das Letras.
São Paulo. 1992.
CAPÍTULO XXVII
AO PORTÃO
Ao portão do Passeio, um mendigo estendeu-nos a mão. José Dias passou adiante, mas eu pensei em Capitu e no seminário, tirei dous vinténs do bolso e dei-os ao mendigo. Este beijou a moeda; eu pedi-lhe que rogasse a Deus por mim, a fim de que eu pudesse satisfazer todos os meus desejos.
— Sim, meu devoto!
— Chamo-me Bento, acrescentei para esclarecê-lo.
Machado de Assis
O cunhado tinha convidado alguns dos seus novos vizinhos para o churrasco. Gente do condomínio. Um deles era um empresário aposentado, ainda vigoroso nos seus setenta e poucos anos, que apresentou como “Cerqueira, um fera no tênis”. Cerqueira tinha um olhar de águia e uma cara esculpida em pedra, e depois do almoço, numa roda formada por espreguiçadeiras sobre o relvado, declarou para quem ainda estava acordado que não tinha escrúpulo de se declarar um direitista. Era de direita e se orgulhava disso. Marchara pelo Brasil em 64 e marcharia de novo pelos mesmos ideais. E mais. Achava que a história ainda faria justiça à revolução e ao regime militar, que tinham livrado o Brasil do comunismo e da anarquia e modernizado o país.
O cunhado levantou a cabeça, procurou Rogério por cima da borda da sua espreguiçadeira com um olhar malicioso e perguntou:
— Você concorda com isso, Rogério?
— Depois de um churrasco destes, concordo com qualquer coisa.
— Não. Sério.
— Concordo, concordo com tudo.
— Viu só, Cerqueira? O que faz o dinheiro. Nada mais de direita do que um esquerdista que enriqueceu.
Cerqueira não entendeu. Parecia não ter nenhum senso de humor.
— Não tem nada a ver com dinheiro. Não estávamos defendendo o capitalismo. Estávamos defendendo a liberdade. Quebramos algumas cabeças? Quebramos. Mas ninguém recebeu mais do que merecia. Eles queriam uma guerra e tiveram uma guerra. E perderam.
Rogério conseguiu enlaçar Amanda, que passava correndo pela espreguiçadeira junto com um primo e um menino mais velho.
— Me solta, pai!
— Fica um pouquinho com seu pai.
— Não posso!
— Então dá um beijinho.
— Saco. Toma. Pronto.
O cunhado estava contando que Rogério tivera problemas, durante o regime militar.
— Quem é Rogério: — perguntou Cerqueira.
— Eu aqui — disse Rogério, levantando o dedo.
— Sei — disse Cerqueira. E não quis saber dos problemas.
Rogério:
— Ouvi dizer que os empresários tinham um fundo para ajudar na repressão. Um fundo que financiava ações clandestinas.
— Nós ajudamos a reprimir a subversão. Não vou negar. Ajudamos mesmo. Nos engajamos na luta contra o comunismo, e fizemos muito bem. Um dia ainda vão nos agradecer.
Do fundo da sua espreguiçadeira, Rogério não viu quem disse:
— Mas os esquerdinhas estão de volta...
Podia ser o pai da Alice.
Luís Fernando Veríssimo
vozes do golpe
Companhia das Letras. São Paulo.
2004.
Quando trazem para casa um inimigo, batem-lhes as mulheres e as crianças primeiro. A seguir, colam-lhe ao corpo penas cinzentas, raspam-lhes as sobrancelhas, dançam-lhe em torno e amarram-no bem, a fim de que não lhes possa escapar. Dão-lhe então uma mulher, que dele cuida, servindo-o também. Se tem dele um filho, criam-no até grande, matam-no e o comem quando lhes vem à cabeça.
Dão de comer bem ao prisioneiro. Conservam-no por algum tempo e então se preparam. Para tanto fabricam muitas vasilhas, nas quais põem suas bebidas e queimam também vasilhame especial para os ingredientes com que o pintam e enfeitam. Além disso, fazem borlas de penas, que amarram ao tacape com que o matam. Fabricam também uma longa corda, chamada muçurana. Com esta o amarram, antes de executá-lo.
Assim que tudo está preparado, determinam o tempo em que deve morrer o prisioneiro e convidam os selvagens de outras aldeias para que venham assistir. Enchem então de bebidas todas as vasilhas. Um ou dois dias antes de as mulheres fabricarem as bebidas, conduzem o prisioneiro uma ou duas vezes ao pátio dentre as cabanas e dançam-lhe em volta.
Logo que estão reunidos todos os que vieram de fora, dá-lhes as boas-vindas o principal da choça e diz: “Vinde agora e ajudai a comer o vosso inimigo”. No dia, véspera de começarem a beber, amarram a muçurana em torno ao pescoço do prisioneiro e pintam o ibirapema, a clava, com que o pretendem matar. [...] Os selvagens untam-na com uma substância grudenta. Tomam então cascas de ovo de um pássaro, o macaguá, que são cinzentas, reduzem-nas a pó e espalham isto sobre o tacape. Depois se assenta uma mulher e garatuja nesta poeira de cascas de ovo, que está grudada. Enquanto ela desenha, rodeiam-na, cantando, muitas mulheres.
Estando o ibirapema como deve, ornado com borlas de penas e outros enfeites, ele será pendurado acima do chão, numa vara, numa choça vazia. Os selvagens cantam então, através da noite toda, em volta dessa choça. Do mesmo modo pintam o rosto do prisioneiro, e enquanto uma mulher o pinta, cantam as outras. Quando principiam a beber, levam consigo o prisioneiro, que bebe com eles e com o qual se divertem. Acabada a bebida, descansam no outro dia e constroem para o prisioneiro uma pequena cabana, no local em que deve morrer. Aí ele passa a noite sendo bem vigiado.
Hans Staden
em Brasil
A História Contada por quem Viu
Jorge Caldeira (org.)
Mameluco. São Paulo.
2008.
INDIO BRUM VARGAS
VEREADOR - PORTO ALEGRE/RS
Sanção: Suspensão de direitos políticos e
cassação de mandato.
D.O.: 30-04-1969, p. 3662.
ESCRITURÁRIO — CAIXA ECONÔMICA
FEDERAL - CEF/RS
Sanção: Demissão.
D.O.: 23-07-1970, p. 5477.
INEMAR BAPTISTA PENNA
MARINHO
CAPITÃO-TENENTE
Sanção: Reforma.
D.O.: 26-08-1969, p. 7242.
INOCÊNCIO MOSSELIN
2º SARGENTO — MINISTÉRIO DO
EXÉRCITO
Sanção: Reforma.
D.O.: 09-06-1970, p. 4273.
INOCÊNCIO TIMES SERRES
MECÂNICO DE MÁQUINAS —
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA
Sanção: Demissão.
D.O.: 28-09-1964, p. 8685.
IOLANDA AGUIAR
PROFESSORA NÃO DIPLOMADA - RS
Sanção: Rescisão de contrato.
D.O.: 27-10-1969, p. 9211.
IORODEME MACHADO
3º SARGENTO — MINISTÉRIO DO
EXÉRCITO
Sanção: Demissão.
D.O.: 16-09-1964, p. 8264.
IPIRANGA GUARANY
SUBTENENTE
Sanção: Reforma.
D.O.: 21-07-1969, p. 6154.
IRACEMA FERREIRA MAIA
EMPRESAS INCORPORADAS AO
PATRIMÔNIO NACIONAL - EIPN
Sanção: Demissão.
D.O.: 24-07-1964, p. 6595.
IRAN DE JESUS LOUREIRO
MAJOR — MINISTÉRIO DO EXÉRCITO
Sanção: Reforma.
D.O.: 07-10-1964, p. 9077.
IRAN TEIXEIRA DE MELO
SUBTENENTE — MINISTÉRIO DO
EXÉRCITO
Sanção: Demissão.
D.O.: 07-10-1964, p. 9084.
IRANI CAMPOS
Sanção: Banimento.
D.O.: 13-01-1971, p. 257.
IRANY BRIZOLA ROTTA
CAPITÃO — MINISTÉRIO DO EXÉRCITO
Sanção: Reforma.
D.O.: 18-07-1969, p. 6108.
IRAPUAN CORDEIRO
1º TENENTE
Sanção: Reforma.
D.O.: 06-03-1967, p. 2692.
IRÊNIO IGNÁCIO DA SILVEIRA
AGENTE FISCAL DO IMPOSTO DE
RENDA
Sanção: Demissão.
D.O.: 01-10-1964, p. 8838.
IRINEU FERREIRA ALVES
Sanção: Suspensão de direitos políticos e
cassação de mandato.
D.O.: 10-11-1966, p. 12991.
IRINEU JOSÉ FERREIRA
JORNALISTA
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 27-02-1967, p. 2359.

Miró sentia a mão direita
demasiado sábia
e que de saber tanto
já não podia inventar nada.
Quis então que desaprendesse
o muito que aprendera,
a fim de reencontrar
a linha ainda fresca da esquerda.
Pois que ela não pôde, ele pôs-se
a desenhar com esta
até que, se operando,
no braço direito ele a enxerta.
A esquerda (se não se é canhoto)
é mão sem habilidade:
reaprende a cada linha,
cada instante, a recomeçar-se.
João Cabral de Melo Neto
O Sim contra o Sim
José Olympio. Rio de Janeiro.
Terceira edição. 1975.
Foi o general Muricy quem falou, explicou a situação. Em compensação nós ficamos sem comida e o pessoal estava com fome mesmo, há 24 horas que a gente não sabia o que era comida. Aí nós combinamos, enquanto eles tomavam conta da gente, três ou quatro escapavam e tentavam resolver o problema da alimentação. Alguns ficavam nas filas de rancho das outras unidades; cheio de gente desconhecida, não era difícil conseguir comida, mas era horrível, comida de quartel, e ainda por cima feita na estrada. Quanto chegou a nossa vez de escapulir, encontramos um repórter, acho que da Fatos & Fotos, e ele estava querendo fazer cobertura e não conseguia ninguém pra lhe dizer alguma coisa — aquele papo de militar, tudo é segredo, não se pode contar nada pra civil. Então ele queria que a gente respondesse a umas perguntinhas — respondíamos, sim, mas só se ele pagasse comida. Ele então nos levou para um bar, nos sentamos e pedimos sanduíches de pernil, ele mandou vir dois pra cada um, o pessoal reclamou, queria quatro pra cada, e mais cerveja, ele acabou concordando — nós botamos os sanduíches que sobraram nos bolsos da japona. enquanto isso, fomos contando uma série de mentiras. (Mais tarde eu li a revista e a reportagem saiu com todas as nossas mentirinhas.) No bar, outros três soldados que estavam sem dinheiro resolveram não pagar — além do mais o pessoal do bar estava explorando. Aí, quando o dono reclamou, eles mandaram botar tudo na conta do Exército. Depois, já na rua, um do nosso grupo bateu palmas na porta de uma casa e explicou a situação e a senhora que atendeu arranjou um prato de comida pra turma. Outro galho que a gente tinha que quebrar era ver se conseguia se comunicar com o pessoal de casa, pois todos os pais e mães tavam completamente sem notícias, preocupados. Fomos então até a telefônica, onde já havia uma fila enorme. Esperamos uma porção de tempo, pois tinha aquela questão de hierarquia, os oficiais falavam antes, e eram dezenas de oficiais pra falar, nunca chegava a nossa vez. Aí aconteceu um negócio engraçado: quando tava quase na minha vez de falar, chegou um major. Acho que do 1º R.I., e pediu uma ligação pra casa. Era um major enorme de gordo, devia pesar uns cem quilos mais ou menos, usando uma calça de instrução larguíssima. Ele foi entrando, se espremendo na cabine telefônica. Quando conseguiu a ligação, ouvimos a conversa: ele falava com a mãe — ele, um sujeito já de quase cinqüenta anos, começa com um “mamãe!” bem alto, pois a ligação estava ruim —, e todo mundo ali escutando “mamãe, quem tá falando aqui é o Dudu”, ele dizia, “a senhora não precisa mais se preocupar. Diz pro fulano que essa questão de greve vai acabar”; depois falou que já estava indo pro Rio e aí então, sempre gritando, perguntou pelos peixinhos do aquário, se tinham sido bem tratados, se tinham dado alpiste pros passarinhos... Tudo isso quase berrando: foi uma gargalhada geral na telefônica. O tal major saiu de lá na maior bronca. Depois cada um de nós conseguiu falar pra casa e sossegar o pessoal. A gente tava lá numa situação até que cômoda, detidos, calmamente instalados, e na volta pra nossa “área” resolvemos dar o golpe que tínhamos visto: entramos num bar, pedimos cerveja e mandamos botar na conta do Exército. Depois descobrimos um pomar de pitangueiras, com uma porção de soldados comendo as frutinhas. Outra diversão era mexer com os soldados de Minas: perguntar se eles tavam indo pro Rio pra comprar bonde, tentar irritar alguns deles pra ver se a gente resolvia no tapa o que não tinha sido resolvido no tiro lá
(Petrópolis, 1968)
Flávio Moreira da Costa
1964: Manobras de um Soldado
Nova Fronteira. Rio de Janeiro.
sel. Org. e notas de Flávio Moreira da Costa
com a colaboração de Celina Portocarrero
2006.
Não estão sujeitos a nenhum rei ou chefe e só têm alguma estima por aqueles que fizeram algum feito digno de homem forte. Por isso, freqüentemente, quando os julgamos ganhos, recalcitram, porque não há quem os obrigue pela força a obedecer. Os filhos obedecem aos pais conforme lhes parece. Cada um é rei em sua casa e vive como quer, por isso nenhum fruto, por menor que seja, se pode colher deles, se não se juntar a força do braço secular, que os dome e sujeite ao jugo da obediência. Vivendo sem leis nem autoridade, segue-se que não se podem conservar em paz e concórdia, de maneira que cada aldeia consta só de seis ou sete casas, nas quais, se não fosse o laço e a união do sangue, não podiam permanecer juntos, pois comer-se-iam uns aos outros, como vemos que acontece em muitos lugares onde eles não dominam essa paixão insaciável, nem sequer para se absterem de devorar abominavelmente os consangüíneos.
Juntam-se a isto os matrimônios contraídos com os consangüíneos até primos diretos, de maneira que, se queremos receber algum para o batismo, por causa do laço de sangue é dificílimo encontrar-lhe mulher com a qual possa casar. O que é para nós não pequeno impedimento, pois não podemos admitir ninguém à recepção do batismo conservando a concubina. Por isso, parece-nos sumamente necessário que se mitigue nestas partes todo o direito positivo, de maneira que possam contrair-se matrimônios em todos os graus, exceto de irmãos com irmãs. O mesmo é necessário fazer-se nas leis da Santa Madre Igreja, pois, se os quiséssemos obrigar a elas no presente, não há dúvida que não quereriam dispor-se a seguir a fé cristã.
José de Anchieta
em Brasil
A História Contada por quem Viu
Jorge Caldeira (org.)
Mameluco. São Paulo.
2008.
IBRAIM SILVEIRA GOULART
1º SARGENTO — MINISTÉRIO DO
EXÉRCITO
Sanção: Reforma.
D.O.: 31-07-1964, p. 6818.
IEDA DOS REIS CHAVES
Sanção: Banimento.
D.O.: 15-06-1970, p. 4454.
IGNÁCIO GODOY DOS SANTOS
ESCRIVÃO DE POLÍCIA - RS
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 27-08-1969, p. 7278.
IGNÁCIO HANSEN BARBOSA
CONFERENTE DE CARGAS —
COMISSÃO DE MARINHA MERCANTE
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 07-10-1964, p. 9087.
IGNÁCIO JOSÉ DA GAMA
MEDEIROS
CONTROLADOR DE MOVIMENTO DE
TRENS — MINISTÉRIO DA VIAÇÃO E
OBRAS PÚBLICAS - MVOP
Sanção: Demissão.
D.O.: 09-10-1964, p. 9216.
IGUATEMY JORGE DE ANDRADE
AGENTE FISCAL DO IMPOSTO DE
RENDA
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 09-10-1964, p. 9205.
IJALME LEITE GOMES
MAGISTRADO - PB
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 27-02-1969, p. 1748.
ILCIO ARVELLOS LOPES
CAPITÃO-DE-CORVETA — MINISTÉRIO
DA MARINHA
Sanção: Reforma.
D.O.: 09-10-1964, p. 9199.
ILDEFONSO PEREIRA DA MOTA
FILHO
GUARDA-CIVIL - RS
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 27-08-1969, p. 7278.
ILDICO MARIA ERZSEBET
SERVIDOR PÚBLICO
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 28-04-1969, p. 3598.
Obs.: Republicação D.O.: 17-07-1969.
ILIDIO MONTEIRO DE GODOY
MAJOR — POLÍCIA MILITAR/GO
Sanção: Reforma.
D.O.: 15-09-1969, p. 7776.
ILSON SANTOS DE OLIVEIRA
MAJOR FARMACÊUTICO — MINISTÉRIO
DA AERONÁUTICA
Sanção: Reforma.
D.O.: 03-12-1970, p. 10302.
INÁCIO MARIANO VALADARES
FILHO
DEPUTADO ESTADUAL - PE
Sanção: Suspensão de direitos políticos e
cassação de mandato.
D.O.: 21-05-1970, p. 3791.
INALDO FARIA MENDES
ENGENHEIRO — MINISTÉRIO DA
VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS - MVOP
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 09-10-1964, p. 9212.
INALDO IVO LIMA
DEPUTADO ESTADUAL - PE
Sanção: Suspensão de direitos políticos e
cassação de mandato.
D.O.: 30-04-1969, p. 3662.
INARD GUIMARÃES DE OLIVEIRA
MECÂNICO OPERADOR — MINISTÉRIO
DA MARINHA
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 16-09-1964, p. 8261.
Gran força de vento nos fez
amainar de romania as velas
tomei o sol em dois graus: demorava-me
a ilha de Fernão de Loronha ao suleste
e ao sudoeste demorava
o Cabo de Santo Agostinho o olhar de Santa Mônica
nesta paragem correm as águas aloesnoroeste
e em certos tempos correm mais
assim que nesta paragem a pilotagem é incerta:
por experiência verdadeira
para saberdes se estais de barlavento ou de julavento
da ilha de Fernão de Loronha
quando estais de barlavento vereis muitas aves
— as mais
rebiforcados e alcatrazes pretos
e de julavento vereis
mui poucas aves e as que virdes serão
alcatrazes brancos
e o mar é mui chão:
entre alcatrazes pretos
e alcatrazes brancos
por mar mui chão
por muito chão de mar
por mar e chão de chãs de terra de Alagoas
às vezes a um tiro de falcão do abismo
se arrisca a peripécia de Gerardo
e incerta é a pilotagem do perigo e Raul
e Efrain e Abdias e Godo e Napoleão
e os outros capitães, Francisco,
tapavam os olhos com a mão
sacudiam a cabeça e tremiam pelo navegante
cheios de misericórida e terror:
“Carlos — diziam — Carlos, o Temerário” —
e era Gerardo entrando, amor,
Gerardo em seu labirinto
e cada qual teria o seu: jogava
Juan y su laberinto
de papel
Agustín y su laberinto
de farsa
Godo y su laberinto
de estrelas
Abdias e seu labirinto
de bocetas
Francisco e seu labirinto
de anjos e Tomás
e seu labirinto de maçã
e vai morrer mordendo a fruta
do primeiro Adão
Tomás talvez o último Adão
mordendo a sua fruta e a fruta
de todos esses labirintos
tem o mesmo sabor o mesmo aroma:
assim, digamos, Gerardo
em seu labirinto navegava
farsa estrela papel bocetas anjos e maçãs.
Mas onde o sítio do desejo?
Gerardo Mello Mourão
em Peripécia de Gerardo.
Paz e Terra. Rio de Janeiro.
1972.
Sou germano-americano, dos puros, da época em que os germano-americanos ainda eram endógamos, casando-se uns com os outros. Quando pedi à anglo-americana Jane Marie Cox que se casasse comigo em 1945, um de seus tios lhe perguntou se ela realmente “queria se misturar com todos aqueles alemães”. Sim, e ainda hoje em dia existe uma espécie de fenda geológica de San Andreas separando os germano-americanos dos anglo-americanos, embora cada vez mais tênue.
Vocês poderiam achar que isso aconteceu por causa da Primeira Guerra Mundial, na qual ingleses e americanos lutaram contra a Alemanha, quando a fenda se abriu, larga e funda como a boca do inferno, embora nenhum germano-americano tivesse praticado um ato de traição. Mas a fenda apareceu da primeira vez por volta da Guerra Civil, quando todos os meus ancestrais imigrantes chegaram por aqui e se instalaram
Chegaram numa época em que a classe dominante anglo-americana, como nossos oligarcas corporativos poliglotas de hoje, queria os operários mais baratos e dóceis que pudesse encontrar em qualquer parte deste vasto mundo. As especificações para estas pessoas, então como agora, eram aquelas enumeradas por Emma Lazarus em 1883: “cansadas”, “pobres”, “amontoadas”, “desgraçadas”, “sem teto” e “à mercê das tempestades”. E pessoas assim, na época, tinham de ser importadas. Os empregos não podiam, como hoje, ser mandados até onde elas eram tão infelizes. Sim, e elas vinham para cá do jeito que podiam, às dezenas de milhares.
Mas no meio deste maremoto de miséria estava o que, retrospectivamente, pareceria aos anglo-americanos um cavalo de Tróia, recheado de homens de negócios alemães de classe média, educados, bem alimentados, e suas famílias, com dinheiro para investir. Um ancestral do lado de minha mãe tornou-se dono de cervejaria
E estas pessoas livres de culpa, falando inglês no trabalho, mas alemão em casa, não só construíram negócios bem-sucedidos, de um modo mais impressionante em Indianápolis, Milwaukee, Chicago e Cincinnati, mas seus próprios bancos e salas de concerto, clubes sociais e ginásios, restaurantes, mansões e chalés de verão, deixando os anglos a se perguntar, com boa razão, devo admitir: “Afinal, a quem pertence esta porra de país?”
Kurt Vonnegut Jr.
Record. Rio de Janeiro. 2006.
O famoso “dispositivo militar” do general Assis Brasil, chefe da Casa Militar, espécie de “Linha Maginot” de Jango, era a força mítica irresistível com que o governo contava. Dias antes, o presidente reunira-se com oficiais do seu gabinete num sítio perto de Brasília. Na mesa onde em seguida seria servido o churrasco, Assis Brasil abriu vários mapas e fez uma exposição sobre o poderio das forças à sua disposição. Para encerrar, atiçou: “Manda brasa, presidente!”. Tudo isso seria posto à prova naquela última terça-feira de março.
“O dia 31 foi uma loucura”, recorda Iracema Kemp, ex-aluna, amiga e, com vinte e poucos anos em 64, secretária particular de Darcy. “Havia aquela série de notícias contraditórias. Darcy pressionando para obter informações e o Gabinete Militar, ou porque não as tinha ou porque sonegava, repetindo que a situação estava sob controle.”
De tarde, depois de muitas tentativas das duas, a mãe de Iracema, que morava num apartamento na rua Senador Vergueiro, no Flamengo, conseguiu completar a ligação: “Iracema, o Rio de Janeiro está em festa, com passeata e foguetório. Carlos Lacerda está anunciando que Jango caiu”. “E eu, ingenuamente e cheia de verdade: ‘Mamãe, isso é conversa, é guerra de nervos, não dê ouvidos. Jango está firme’. Minha mãe com a razão e eu, ingênua, desmentindo.”
Ítalo Campofiorito, um arquiteto da equipe de Oscar Niemeyer levado por Darcy para dirigir a Faculdade de Arquitetura, pôde viver o que Iracema ouviu por telefone. Ele só estava no Rio porque sua mãe fora operada no Hospital dos Servidores do Estado, justamente o mesmo onde o ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro, se submetera a uma cirurgia de próstata muito providencial para o golpe. Por causa do impedimento, ele fora substituído pelo general Moraes Âncora, seu amigo, que Darcy descrevia assim: “Era um general magro, asmático, que tossia sem parar. Levava a tiracolo não uma arma, mas uma espécie de bombinha de flit com que, de vez em quando, aspergia algum remédio na garganta”.
O chefe da Casa Civil queria trocar o ministro interino e o titular pelo marechal Henrique Lott, que seria, segundo ele, a única maneira de salvar o governo. Mas Jango recusou a proposta: “Como é que eu vou demitir o ministro Jair Dantas Ribeiro, que está de barriga aberta numa sala de operações?”
Zuenir Ventura
vozes do golpe
Companhia das Letras. São Paulo.
2004.
Devo dizer com relação ao casamento dos nossos americanos que eles observam tão somente três graus de parentesco; ninguém toma por esposa a própria mãe, a irmã ou filha, mas o tio casa com a sobrinha e em todos os demais graus de parentesco não existe impedimento. A cerimônia matrimonial é a seguinte: quem quer ter mulher, seja viúva ou donzela, indaga de sua vontade e em seguida dirige-se ao pai, ou, na falta deste, ao parente mais próximo, para pedi-la
Note-se que, sendo a poligamia permitida, podem os homens ter quantas mulheres lhes apraz e, quanto maior o número de esposas, mais valentes são considerados. Isso transforma portanto o vício
Voltando ao casamento dos nossos americanos, devo dizer que o adultério feminino lhes causa tal horror que o homem enganado pode repudiar a mulher faltosa, despedi-la ignominiosamente ou mesmo matá-la, regendo-se pela lei natural. É certo que antes de casá-las os pais não hesitam em prostituí-las a qualquer varão. Antes de nossa chegada ao Brasil, os intérpretes normandos abusavam das raparigas em muitas aldeias, mas nem por isso elas ficavam difamadas e quando se casavam procuravam não mais claudicar, de medo de serem mortas ou repudiadas, como já disse. Direi mais que, apesar do clima da região em que habitam e não obstante serem orientais, nem os mancebos nem as donzelas núbeis da terra se entregam à devassidão como fora de supor. Quisera Deus que o mesmo acontecesse por aqui. Todavia, para não apresentá-los melhores do que são, direi que quando brigam se insultam de “tivira”, o que quer dizer sodomita. Isso me leva a crer, embora não o possa afirmar, que entre eles exista esse abominável vício.
Mesmo grávida a mulher não deixa de cuidar de seu trabalho cotidiano e apenas evita carregar fardos pesados. Na verdade, as mulheres dos nossos tupinambás trabalham muito mais do que os homens, pois estes, à exceção de roçar o mato para as suas culturas, o que fazem sempre de manhã exclusivamente, nada mais lhes importa a não ser a guerra, a caça, a pesca e a fabricação de tacapes, arcos, flechas e adornos de penas para enfeites.
Jean de Léry
em Brasil
A História Contada por quem Viu
Jorge Caldeira (org.)
Mameluco. São Paulo.
2008.
HUMBERTO EL JAICK
ADVOGADO E PROFESSOR
Sanção: Suspensão de direitos políticos e
cassação de mandato.
D.O.: 14-10-1966, p. 11877.
HUMBERTO FERREIRA DA SILVA
CAIXA — BANCO DO BRASIL
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 09-10-1964, p. 9205.
HUMBERTO FREIRE DE ANDRADE
CORONEL DA ARMA DE INFANTARIA —
MINISTÉRIO DO EXÉRCITO
Sanção: Transferência para a Reserva.
D.O.: 11-04-1964, p. 3259.
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 14-04-1964, p. 3313.
Sanção: Reforma.
D.O.: 28-09-1964, p. 8680.
HUMBERTO LESSA DE
VASCONCELLOS FILHO
MAJOR INTENDENTE — FORÇA AÉREA
BRASILEIRA - FAB
Sanção: Demissão.
D.O.: 29-01-1970, p. 709.
HUMBERTO LUCENA LOPES
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 23-05-1966, p. 5447.
HUMBERTO MELO
MAGISTRADO DA JUSTIÇA — COMARCA
DE MONTEIRO/PB
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 27-02-1969, p. 1748.
HUMBERTO MENEZES PINHEIRO
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 10-04-1964, p. 3217.
HUMBERTO MOLINARO
TENENTE-CORONEL DA ARMA DE
INFANTARIA — MINISTÉRIO DO
EXÉRCITO
Sanção: Transferência para a Reserva.
D.O.: 11-04-1964, p. 3259.
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 14-04-1964, p. 3313.
Sanção: Demissão.
D.O.: 28-09-1964, p. 8678.
HUMBERTO MONTEIRO TEIXEIRA
MARINHO
AGENTE FISCAL DO IMPOSTO DE
RENDA
Sanção: Demissão.
D.O.: 01-10-1964, p. 8838.
HUMBERTO PAIVA XAVIER
2º SARGENTO — MINISTÉRIO DA
MARINHA
Sanção: Demissão.
D.O.: 28-09-1964, p. 8677.
HUMBERTO WALTER BARROSO DE
SOUZA
GUARDA MARÍTIMO E AÉREO —
POLÍCIA MARÍTIMA E AÉREA/SP
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 14-09-1970, p. 7968.
IARA GUIMARÃES BRANT PEREIRA
CONTADORA
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 30-04-1969, p. 3667.
IB TEIXEIRA
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 14-04-1964, p. 3313.
IBIAPINO MENDES TENORIO
2º SARGENTO QAT-SP
Sanção: Reforma.
D.O.: 18-11-1970, p. 9796.
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Adélia Prado
Minha irmã, dois anos mais velha, era a boazinha; arrumava a cama, ia à feira fazer compras, ajudava nas coisas da casa. Excelente aluna, não freqüentava a biblioteca, mas era a queridinha dos professores, tirava notas excelentes. Uma santa, quase. Não santa como tu, naturalmente, mas bem santa, de qualquer modo. Minissanta, pelo menos.
Eu invejava minha irmã. Tinha raiva dela. E por isso sofria, por causa da raiva que sentia dela. Eu era ruim. Não parecia ruim, mas era ruim. Minha maldade ficava escondida, mas era, posso te garantir, muita maldade. Quando me olhava no espelho (e detestava me olhar no espelho) não via um rosto puro e sereno como o teu. O que eu via era uma cara rígida, dura de ódio, um olhar desvairado — eu já era louca, o espelho sabia disso, o espelho me mostrava coisas que eu não queria ver, uma vez quebrei o do meu quarto a marteladas (a surra que levei de minha mãe podes imaginar). Desgostava-me, minha expressão: eu queria ser boa, mas não conseguia; minha cara não deixava. A cara me comandava, a cara e o espelho conspiravam para acabar comigo. Ah, sim: eu usava óculos. Ainda por cima usava óculos. Como meu pai, eu tinha problemas de visão. Ler, às vezes, era coisa muito difícil. Mas, apesar da contrariedade de minha mãe, e da dor de cabeça que às vezes me assaltava, não abandonava a leitura. Quando mamãe me proibiu de ir à biblioteca, dei um jeito de continuar lendo: pedia livros emprestados a um senhor que morava perto de nossa casa e que era um grande leitor. O velho me emprestava, claro, apesar de me olhar de um jeito meio safado, coisa que eu até tomava como elogio, mas que não importava muito: o que eu queria era ler. Mas que um prazer, era uma esperança, a única esperança. Tinha certeza de que algum dia, em algum livro, encontraria a resposta definitiva para minhas dúvidas, a fórmula mágica da felicidade. Eu queria ser feliz. Os romances falavam nisso, em felicidade, mas o que era mesmo felicidade? Eu não sabia, claro, porque não era feliz, mas podia imaginar. Felicidade incluiria uma casa melhor do que aquele tugúrio em que morávamos, uma mãe menos rancorosa, um pai menos ausente, uma irmã menos inteligente, menos virtuosa. Melhor ainda, uma irmã morta, falecida muito cedo, de alguma rápida enfermidade. Uma irmã cujo único resíduo fosse uma foto desbotada numa moldura barata com um vidro meio sujo. Uma irmã para sempre imobilizada, como tu. Para essa irmã eu poderia olhar sem problemas. Poderia até falar com ela, contar-lhe as histórias que lia, e até anedotas, anedotas de sacanagem, aquela da prostituta na carroça e outras. Uma irmã em foto seria ideal. Eu me sentiria melhor. Poderia até me mirar no espelho. E me miraria rindo, um riso meio tolo, mas riso, de qualquer maneira; uma face risonha sempre é melhor do que uma face sombria. Pelo menos é o que indica a lógica. Eu já não me veria com os cantos da boca caídos, a marca registrada do meu ressentimento e da minha frustração. Não, aos poucos os cantos da boca se elevariam em direção ao céu, lá onde moras. Essa trajetória marcaria o caminho da minha felicidade, um caminho até mensurável, em graus ou
Moacyr Scliar
Mãe Judia, 1964
vozes do golpe
Companhia das Letras. São Paulo.
2004.
Não obstante morarem muitas mulheres sob o mesmo teto, com um só marido, uma é sempre mais querida; por isso, governa as outras como uma senhora às suas servas. E o que é mais admirável: vivem todas em boa paz, sem ciúmes nem brigas, obedientes todas ao marido, preocupadas com servi-lo dedicadamente nos trabalhos do lar, sem disputas nem dissensões de qualquer espécie. Espantou-me, e espanta-me ainda quando dela me recordo, essa união observável nas famílias dos selvagens. Em geral, vivem sossegados o marido e suas mulheres. Demonstram grande amizade apesar de seu paganismo, a ponto de jamais se ouvir discussões nem recriminações ou do marido ou das mulheres.
Bela lição em verdade para muitas famílias católicas, as quais, tendo recebido a luz da fé, devem viver santamente em seus lares, sujeitando-se a mulher, em tudo, a seu marido e senhor, temendo-o e respeitando-o como chefe; por seu lado, deve o marido amar sua mulher como Jesus Cristo amou sua Igreja, sofrendo por ela a morte na cruz. No entanto, apesar de tudo isso, não vivem essas famílias em paz, nem passam um só dia sem disputas e dissensões de toda espécie; transformam o lar em um inferno na terra, em vez de fazerem dele um pequeno paraíso particularmente agradável a Deus.
Quanto aos filhos, logo ao nascerem os pais os friccionam com óleos e tinturas, como já foi dito, e deitam-nos em redezinhas de algodão, sem enfaixá-los nem cobri-los. Creio que por isso mesmo são menos sujeitos do que os nossos a se tornar corcundas ou contrafeitos; pois entre nós, desde o nascimento, são as crianças enfiadas em berços e metidas dentro de vestimentas tão apertadas que violentam a natureza, a ponto de somente com dificuldade poderem crescer. Daí a grande quantidade de indivíduos tortos, coxos e corcundas. O mesmo não ocorre entre os índios, que deixam a natureza expandir-se
Quanto às mães, é impossível dizer a que ponto amam seus filhos apaixonadamente. Jamais os abandonam e trazem-nos sempre em sua companhia. Descansam, em geral, apenas dois ou três dias depois do parto. Depois disso, carregam o menino suspenso ao pescoço por um pedaço de pano de algodão, e vão para a roça trabalhar ou ocupar-se de sua casa sem maiores resguardos. Muitas vezes, além da criança que carregam assim dependurada, levam uma outra pela mão, e mais duas ou três maiorezinhas a acompanham. Como querem muito bem a seus filhos, cuidam extremamente de sua limpeza, além de amamentá-los com uma espécie de papa.
Não fazem como as mães de nosso país, que mal nascem os filhos os entregam às amas e mesmo os mandam para fora, a fim de não se aborrecerem com eles. Nisso não as imitariam as selvagens por nada no mundo, pois querem que seus filhos sejam alimentados com seu próprio leite.
Também creio que se deva atribuir ao grande amor que os pais têm a seus filhos o fato de jamais lhes dizerem palavras ofensivas. Dão-lhes, ao contrário, ampla liberdade para fazerem o que lhes apetece e nunca os repreendem. Por isso mesmo, espanta que as crianças, em geral, nada façam que possa descontentar os pais, mas se esforcem, ao contrário, por agir de modo a agradá-los.
Não sei se devo explicar esse respeito das crianças selvagens pelo amor que têm a seus pais; possivelmente sua natureza não se encontre tão viciada, nem a sua mocidade tão corrompida, quanto entre os cristãos, nos quais os vícios, as maldades e os apetites desordenados reinam a ponto de torná-los, desde a infância, verdadeiros flagelos para seus pais, que tanto trabalho tiveram em criá-los e educá-los amorosamente.
Claude d’Abbeville
em Brasil
A História Contada por quem Viu
Jorge Caldeira (org.)
Mameluco. São Paulo.
2008.
HUGO GOUTHIER DE OLIVEIRA
GONDIM
DIPLOMATA
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 13-06-1964, p. 5050.
HUGO HARTZ
CAPITÃO — MINISTÉRIO DA
AERONÁUTICA
Sanção: Transferência para a Reserva.
D.O.: 11-04-1964, p. 3259.
Sanção: Reforma.
D.O.: 25-09-1964, p. 8637.
HUGO NOBRE CALADO
3º SARGENTO
Sanção: Demissão.
D.O.: 03-12-1970, p. 10300.
HUGO RÉGIS DOS REIS
ENGENHEIRO
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 10-04-1964, p. 3217.
HUGO WEISS
SERVIDOR PÚBLICO
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 28-04-1969, p. 3598.
Obs.: Republicação D.O.: 17-07-1969.
HUGOLINO DE ANDRADE
UFLACHER
PROFESSOR CATEDRÁTICO —
FACULDADE DE DIREITO -
PELOTAS/RS
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 25-09-1964, p. 8634.
HUGOLINO PINHEIRO DOS SANTOS
INATIVO E ASSISTENTE DE
ENFERMAGEM - AP
Sanção: Cassação de aposentadoria.
D.O.: 07-10-1964, p. 9092.
HUMBERTO ANNIBAL DE MELLO
SANTOS
CAPITÃO-DE-FRAGATA — MINISTÉRIO
DA MARINHA
Sanção: Reforma.
D.O.: 25-09-1964, p. 8613.
HUMBERTO ARCHIBALD
CAMPBELL
ESCRITURÁRIO — BANCO DO BRASIL
Sanção: Demissão.
D.O.: 07-10-1964, p. 9086.
HUMBERTO BRASILEIRO BAHIA
MÉDICO — INSTITUTO DE
APOSENTADORIA E PENSÕES DOS
FERROVIÁRIOS E EMPREGADOS EM
SERVIÇOS PÚBLICOS - IAPFESP /
SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA
DOMICILIAR E DE URGÊNCIA -
SAMDU
Sanção: Demissão.
D.O.: 09-10-1964, p. 9220.
CONSELHEIRO — COMPANHIA
HIDRELÉTRICA DO VALE DO
PARAÍBA - CHEVAP
Sanção: Demissão.
D.O.: 09-10-1964, p. 9225.
HUMBERTO CLEMENTINO DA
SILVA
BARMAN - COMPANHIA NACIONAL DE
NAVEGAÇÃO COSTEIRA - CNNC /
MINISTÉRIO DA VIAÇÃO E OBRAS
PÚBLICAS - MVOP
Sanção: Demissão.
D.O.: 09-10-1964, p. 9209.
HUMBERTO DE MATTOS GRIMALDI
2º SARGENTO — MINISTÉRIO DO
EXÉRCITO
Sanção: Reforma.
D.O.: 25-08-1969, p. 7190.
HUMBERTO DE MELO BASTOS
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 10-04-1964, p. 3217.
Os Lugares Comuns
Quando o homem que ia casar comigo
chegou a primeira vez na minha casa,
eu estava saindo do banheiro, devastada
de angelismo e carência. Mesmo assim,
ele me olhou com olhos admirados
e segurou minha mão mais que
um tempo normal a pessoas
acabando de se conhecer.
Nunca mencionou o fato.
Até hoje me ama com amor
de vagarezas, súbitos chegares.
Quando eu sei que ele vem,
eu fecho a porta para a grata surpresa.
Vou abri-la como o fazem as noivas
e as amantes. Seu nome é:
Salvador do meu corpo.
Adélia Prado
Com relação à imensa maioria dos chamados evangélicos, eu penso o seguinte: Como são moralistas, legalistas, leitores da literalidade do Antigo Testamento, que preferem ao Novo, nada entendem do amor e, portanto, não são cristãos. Um bom exemplo disto em minha vida eu tenho em certa figura, da I.B. da L., em BZ, que foi uma das pessoas que mais assassinamente me agrediram, em certa escola da PBZ, onde ele e eu trabalhávamos. Ele não suportava a minha liberdade e o fato de eu ser do amor, não da moralina rastaqüera dos beatos. É pena eu não acreditar em Deus e
E a maleita é a “danada”; “coitadinho” é o perdigueiro; “eles!, a gente do povoado, que não mais existe no povoado; e “os outros” são os raros viajantes que passam lá em-baixo, porque não quiseram ou não puderam dar volta para pegar a ponte nova, e atalham pelo vau.
Primo Argemiro olha o rio, vendo a cerração se desmanchar. Do colmado dos juncos, se estira o vôo de uma garça, em direção à mata. Também, Primo Argemiro não pode olhar muito: ficam-lhe muitas garças pulando, diante dos olhos, que doem e choram, por si sós, longo tempo.
— Está custando, Primo Argemiro...
— É do remédio... Um dia ele ainda há-de dar conta da danada!...
O sol cresce, amadurece. Mas eles estão esperando é a febre, mais o tremor. Primo Ribeiro parece um defunto — sarro de amarelo na cara chupada, olhos sujos, desbrilhados, e as mãos pendulando, compondo o equilíbrio, sempre a escorar dos lados a bamveza do corpo. Mãos moles, sem firmeza, que deixam cair tudo quanto ele queira pegar. Baba, baba, cospe, cospe, vai fincando o queixo no peito; e trouxe cá para fora a caixinha de remédio, a cornicha de pó e mais o cobertor.
— O seu inchou mais, Primo Argemiro?
— Olha aqui como é que está... e o seu, Primo?
— Hoje está mais alto.
— Inda dói muito?
— Melhorou.
É da passarinha. No vão esquerdo, abaixo das costelas, os baços jamais cessam de aumentar. E todos os dis eles verificam qual foi o que passou à frente.
Um barulho. É o cachorro magro, que agita as orelhas dormindo, e dorme alertado, com o focinho cúbico encostado no chão.
Primo Argemiro espera um pouco. Aí, ele se espanta. De há muitos anos, dia trás dia, tem a hora do perdigueiro dormir ali perto, e a horinha do perdigueiro sacudir as orelhas, que é o momento de Primo Ribeiro dizer:
— Vida melhor do que a nossa...
Para Primo Argemiro, eternamente, responder:
— É sim...
E, agora, Primo Ribeiro não falou. Por que? Ficou mudo, espiando as três galinhas, que ciscam e catam por ali. Por que?... Está desfiando a beirada do cobertor, com muita nervosia de unhas. É preciso perguntar-lhe alguma coisa.
— Será que chove, Primo?
— Capaz.
— Ind’hoje? Será?
— ‘Manhã.
— Chuva brava, de panca?
— Às vez...
— Da banda de riba?
— De trás.
O passopreto, chefe dos passopretos da margem esquerda, pincha num galho de cedro e convoca os outros passopretos, que fazem luto alegre no vassoural rasteiro e compõem um kraal nos ramos da capoeira-branca. Vão assaltar a rocinha; mas, antes, piam e contrapiam, ameaçando um hipotético semeador:
— Finca, fin-ca, qu’eu ‘ranco! Qu’eu ‘ranco!...
João Guimarães Rosa
Sarapalha
em Sagarana
José Olympio. Rio de Janeiro.
4ª edição. 1956.
Bem, até que enfim as coisas estão nos devidos lugares, como sempre deveriam ter estado. Estamos lá em cima e, olhando de lá poço abaixo, dá uma pena danada dos pobres que lutam por um lugarzinho ao sol.
Chegamos ao final da praia, no quarteirão entre as ruas Joaquim Nabuco e Francisco Otaviano. Soldados e oficiais, à paisana, enchiam sacos de areia e com eles impediam o acesso àqueles últimos metros da Avenida Atlântica. Um oficial gordo, que do uniforme de campanha só tinha a cartucheira em volta da enorme cintura, com a juda de alguns soldados igualmente à paisana, arrumava uns paralelepípedos no meio da pista, encostados aos sacos de areia. havia uma obra na calçada e um monte de pedras ali juntadas para reposição. Os soldados as traziam e o oficial, concentradamente, colocava uma em cima da outra, armando uma espécie de trincheira. Não havia sinal de batalha ou de violência iminente. Fui até o oficial e perguntei para que era aquilo tudo. Ele me olhou com seriedade, custou a responder, finalmente disse em voz baixa, como se revelasse um segredo de estado-maior:
— Tomamos o Forte. Mas se os tanques do Primeiro Exército vierem retomá-lo, teremos de impedir.
De pergunta em pergunta, ficamos sabendo que a tomada do Forte de Copacabana era praticamente a vitória dos rebeldes contra o governo de João Goulart. Os estrategistas do golpe supunham uma desesperada resistência por parte das tropas sediadas no Rio, que estariam preparadas para enfrentar o exército que o general Amauri Kruel estaria trazendo de São Paulo para, juntamente com o exército do general Mourão Filho, vindo de Juiz de Fora, ocupar o Rio, presumível foco de aliados do governo que estava sendo deposto.
Assim informados, Drummond e eu decidimos voltar para casa, teríamos melhor conhecimento da situação ao lado do rádio e da tevê, que estavam excitadíssimos com a cobertura integral daquele vai-e-vem de soldados, tanques e canhões pelas ruas do Rio, atravancando o tráfego e sendo fotografados à saciedade.
Um tiro explodiu perto de nós e uma pequena nuvem de fumaça elevou-se na esquina da Atlântica com a Joaquim Nabuco.
Antes que houvesse uma correria, um início de pânico, procuramos abrigo na praia, pulando para a areia do Posto Seis, areia já manchada de sangue em 1922, em outra tentativa militar de depor um presidente. Quando se trata de política, o raio costuma cair sempre nos mesmos lugares.
O nível da pista era de aproximadamente um metro acima da praia, ali estaríamos abrigados de uma bala perdida que sobrasse para nossos lados.
Felizmente, fora um tiro isolado. A fumaça logo se desfez e voltamos à pista para ver o que teria acontecido. E estava acontecendo ainda.
Um oficial somente com a calça do uniforme da Marinha, com a arma ainda quente do disparo, chutava alguma coisa no chão. Era um rapz de short esmolambado, busto magro e nu, molhado pelo chuvisco que continuava caindo. Ficamos sabendo que o rapaz, operário de construção numa obra ali perto, havia dado um “Viva Brizola!” (ou um “Viva Jango!”) provocando a ira do oficial. O tiro fora dado para o ar, tiro de intimidação segundo as regras militares, mas os chutes não eram de simples intimidação, eram violentos, nas costelas magras e indefesas do operário.
Quase ao mesmo tempo, um clamor percorreu a Avenida Atlântica. O rádio havia noticiado que a tropa sediada no Rio não lutaria contra as tropas que vinham de São Paulo e Minas Gerais. Houvera uma reunião dos chefes militares na Escola Militar das Agulhas Negras, no meio do caminho, em Resende — não mais seria derramado o sangue de irmãos. Era o fim do governo Goulart, o fora que o Correio da Manhã havia pedido naquela manhã.
Carlos Heitor Cony
A Revolução dos Caranguejos
vozes do golpe
Companhia das Letras. São Paulo.
2004.
JANELAS
Minha amada me diz: — Mete.
Céus! Me sinto um meteoro —
e vou indo, feito um globo,
feito um bobo, uma vedete,
um luminoso sinistro.
Ela quer, alguém diria
(quem diria?), ela reflete
compenetrada alegria
por me sentir tão minério,
penhascos e companhia:
essa praia e seus mistérios.
A natureza copia
o que inventamos, aéreos.
Minha amada me diz: — Vem.
Um turbilhão nos trabalha.
O mesmo nos atrapalha,
como quem diz: — Eu também.
Palavras giram no avesso
e nelas nos reconheço
alados, entrelaçados
e realçados por essas
sombras de traços,
espaços
de intraduzíveis janelas.
Rubens Rodrigues Torres Filho
Novolume. Iluminuras. 1997.
BZ, como as noites da literatura árabe, tem 1.001 bares, aonde vão as pessoas para se agredirem e falarem mal da vida alheia. Além de medíocre, é uma cidade neurótica e neurotizante.
A pluralidade de mulheres lhes é permitida; podem ter quantas desejem. As mulheres, porém, não têm o mesmo privilégio; devem contentar-se com um só marido e não podem, tampouco, abandoná-lo para se entregar a outro homem. Entretanto, embora a poligamia seja permitida aos homens, satisfazem-se eles, em sua maioria, com uma só mulher. Somente a fim de ganhar certo prestígio tomam muitas mulheres. São nesse caso julgados grandes homens e se tornam os principais das aldeias.
Mais de uma vez fizemos-lhes ver que Tupã não quer que o homem tenha mais de uma mulher e que os que têm muitas não podem ser seus filhos e permanecem filhos de Jurupari. “Bem sabemos”, respondiam, “que uma só mulher é suficiente para um homem, e não é para satisfazer nossos desejos que temos mais de uma, mas apenas por causa do prestígio e também para a limpeza da casa e o trabalho nas roças”. Além disso, exterminando-se os homens em guerras contínuas, ficam inúmeras mulheres sem maridos. E isso, penso eu, obriga-as a aceitar um só marido.
Os pais não podem possuir suas filhas, nem os irmãos, suas irmãs. Nenhum outro grau de consangüinidade os impede, porém, de casar e de tomar o número de mulheres que desejem. E como o casamento é fácil, igualmente fácil é desmanchá-lo, bastando para tal a vontade recíproca dos cônjuges. Se um homem deseja tomar esposa, depois de comunicá-lo à interessada, consulta seus pais ou irmãos sobre seu consentimento. Respeitam, portanto, os pais e parentes próximos, ao contrário de muitos católicos que, para satisfação única de seus desenfreados desejos, casam até contra a vontade deles.
Não se incomodam com bens, nem procuram riquezas. Apenas obtido o consentimento do pai ou irmão, consideram-se casados, o que não exige cerimônia nem implica em promessa recíproca de indissolubilidade ou perpetuidade, caráter essencial do nosso casamento. Ao contrário, se lhe apetece, o marido expulsa a mulher, e a repudia se o ofende. Por seu lado, se a mulher se sente farta do marido e lhe diz não mais querê-lo ou desejar outro, responde-lhe o esposo sem se perturbar: “ecoain”, isto é, “vá para onde quiser”. A mulher pode então entregar-se a outro homem sem inconvenientes. E pode largar o segundo, como fez com o primeiro, o mesmo sendo permitido ao homem.
É comum entre eles prometerem suas filhas ainda crianças aos principais da tribo, ou aos que têm
Claude d’Abbeville
em Brasil
A História Contada por quem Viu
Jorge Caldeira (org.)
Mameluco. São Paulo.
2008.
HONÓRIO QUARTIERI
2º TENENTE — MINISTÉRIO DO
EXÉRCITO
Sanção: Reforma.
D.O.: 28-09-1964, p. 8685.
HORÁCIO CARLOS DOS SANTOS
MELLO
ARTÍFICE — MINISTÉRIO DA VIAÇÃO E
OBRAS PÚBLICAS - MVOP
Sanção: Demissão.
D.O.: 09-10-1964, p. 9217.
HORST JOSÉ BEZERRA
OPERÁRIO — LLOYD BRASILEIRO
Sanção: Demissão.
D.O.: 09-10-1964, p. 9213.
HORTÍLIO PEREIRA DE CASTRO
AGENTE FISCAL DO IMPOSTO DE
RENDA
Sanção: Demissão.
D.O.: 01-10-1964, p. 8838.
HOTELO TELLES DE ANDRADE
AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 25-01-1978, p. 1387.
HUBERTO MENEZES PINHEIRO
ESCRITURÁRIO — BANCO DO BRASIL
Sanção: Demissão.
D.O.: 07-10-1964, p. 9086.
HUDSON ALFREDO DE MIRANDA
ESTAFETA — MINISTÉRIO DA VIAÇÃO E
OBRAS PÚBLICAS - MVOP
Sanção: Demissão.
D.O.: 08-10-1964, p. 9139.
HUGO AMORIM DE LIMA
MAJOR — MINISTÉRIO DO EXÉRCITO
Sanção: Transferência para a Reserva.
D.O.: 11-04-1964, p. 3259.
Sanção: Reforma.
D.O.: 31-07-1964, p. 6819.
HUGO ANTÔNIO RONCONI
PREFEITO - VILA VELHA/ES
Sanção: Suspensão de direitos políticos e
cassação de mandato.
D.O.: 01-07-1969, p. 5532.
SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA - ES
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 14-09-1970, p. 7969.
HUGO CAMPOS DE ABREU
2º TENENTE — POLÍCIA MILITAR/PR
Sanção: Reforma.
D.O.: 27-04-1970, p. 3049.
HUGO DE ARAÚJO FARIA
OFICIAL DE ADMINISTRAÇÃO —
MINISTÉRIO DO TRABALHO E
PREVIDÊNCIA SOCIAL - MTPS
Sanção: Demissão.
D.O.: 06-10-1964, p. 9025.
HUGO DE CARVALHO
AGENTE FISCAL DO IMPOSTO DE
RENDA
Sanção: Demissão.
D.O.: 01-10-1964, p. 8838.
HUGO DE SOUZA LOPES
PESQUISADOR EM BIOLOGIA —
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Sanção: Suspensão de direitos políticos.
D.O.: 02-04-1970, p. 2452.
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 06-04-1970, p. 2544.
HUGO DE SOUZA XAVIER
CARTEIRO — MINISTÉRIO DA VIAÇÃO E
OBRAS PÚBLICAS - MVOP
Sanção: Aposentadoria.
D.O.: 09-10-1964, p. 9212.
O CD. dizia que o B. dava o golpe do eu vou morrer amanhã. Fazia sentido, mas era também mais uma das maldades sem conta do CD., um homem sem coração.
Parece-me que estou ouvindo a S. Mateus, sem ser Apóstolo pescador, descrevendo isto mesmo na terra. Morto Herodes, diz o Evangelista, apareceu o anjo a José no Egito, e disse-lhe que já se podia tornar para a pátria, porque eram mortos todos aqueles que queriam tirar a vida ao Menino: Defuncti sunt enim qui quaerebant animam Pueri (Mat. II – 20). Os que queriam tirar a vida a Cristo Menino eram Herodes e todos os seus, toda a sua família, todos os seus aderentes, todos os que seguiam e pendiam da sua fortuna. Pois é possível que todos estes morressem juntamente com Herodes? Sim: porque em morrendo o tubarão, morrem também com ele os pegadores: Defuncto Herode, defuncti sunt qui quaerebant animam Pueri. Eis aqui, peixezinhos ignorantes e miseráveis, quão errado e enganoso é este modo de vida que escolhestes. Tomai exemplo nos homens, pois eles o não tomam de vós, nem seguem, como deveram, o de Santo Antônio.
Deus também tem os seus pegadores. Um destes era Davi, que dizia: Mihi autem adhaerere Deo bonum est (salmo LXXII, 2). Peguem-se outros aos grandes da terra, que eu só me quero pegar a Deus. Assim o fez também Santo Antônio, e senão, olhai para o mesmo Santo, e vede como está pegado com Cristo, e Cristo com ele. Verdadeiramente se pode duvidar, qual dos dois é ali o pegador; e parece que é Cristo, porque o menor é sempre o que se pega ao maior, e o Senhor fez-se tão pequenino, para se pegar a Antônio. Mas Antônio também se fez Menor, para se pegar mais a Deus. Daqui se segue que todos os que se pegam a Deus, que é imortal, seguros estão se morrer como os outros pegadores. E tão seguros, que ainda no caso
Padre Antônio Vieira
no Sermão de Santo Antônio aos Peixes